segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Raiva

Hoje eu tô com raiva do mundo. De todo mundo. TPM mode on, level extreme. Tô com raiva do molho de alho do carrinho de salgadinhos, com raiva da imagem da tv, que não tá boa, da minha falta de grana e da minha solidão.

Pronto, falei.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Post Repetido

Tal qual as histórias da minha nem tão dura vida...


(post retirado do blog Solteira na Ilha)



Então, eu acho que as pessoas vão ficar de saco cheio de ler as mesmas coisas, mas enfim...

Lá vou eu dizer mais uma vez que fico muito puta da vida com os manés com os quais me meto.

Aí que eu tava super afim de tirar o atraso, porque, né, atraso de quase 8 meses é muito foda. Antes de virar abstêmia e ver minha membrana restituída de tanta paradeira nessa vida, fui eu dar uma de gaiata e sair com mais uma dessas figurinhas repetidas. 

Eu tinha mandado um torpedo coletivo prá uma galera chamando prá vir aqui em casa beber. Todo mundo duro na época, nada melhor que juntar todo mundo na varanda do apê, fazer uma vaquinha básica e tomar uns gorós arrotando dentro de casa. Daí que acabei chamado o tal também. Na boa, foi prá todo mundo mesmo, foi na lista o nome de um monte de gente.

Não respondeu. Foda-se, não fez falta. Mas eis que, 2 semanas depois, o pessoa manda torpedinho chamando prá sair. Tá vamos lá: solteira, sozinha, livre, desimpedida e ligeiramente precisada, eu não tinha porque recusar. Tá que ninguém escreveu em letras garrafais o que queria, mas vamos combinar: as coisas acontecem assim mesmo. Eu também não saí com o pensamento "hoje tem", mas ó: a gente sabe que pode rolar, é comum.

Eu fui, vi e ganhei a noite, né? Que papo vai, papo vem, o clima rola e a gente faz o quê? Faz o que Mariazinha fez atrás da cerquinha.

Muito bom, né? O gosto, o cheiro, a pele. Transar com quem a gente conhece e se dá bem é ótimo. Mas sabe o que é? Eu sempre detestei matemática. Daí que essa coisa toda de sair, transar sem compromisso, é muita matemática. A fórmula é simples: somam-se a transa e o cara e o resultado é: tesão de pequena duração, que acaba quando você entra no táxi de volta prá casa.

Olha, deixando muito claro: eu não espero que ninguém me ligue no dia seguinte, é isso mesmo que acontece. O que eu digo é que eu não gosto disso.

Aí vem a pergunta: por que é que faz então, porra??

Porque vida de gente solitária às vezes é que nem saco furado: você enche, enche, mas tá sempre vazio. E às vezes a gente tem aquelas necessidades, sabe? Então, o foda é que prá suprir a gente se submete a isso. Os momentos são deliciosos, mas o silêncio do depois é um insulto. Não proposital, não intencional, mas é um insulto. A desobrigação é uma ofensa, muito embora quem se presta ao papel de fazer sexo sem ter laços afetivos não devesse se queixar de não ter carinho. Sexo sem compromisso não tem o dever de oferecer carinho a seu ninguém. É prá matar a vontade. E mata! Sei lá, acho que eu reclamo disso como tem gente que reclama que comer pimenta é bom, mas arde a língua. É um prazer que tem seu preço, se quer, coma e não reclame.

Eu não tenho raiva de ninguém, não fico magoada com ninguém, é matematicamente certo que vou repetir uma, duas, três vezes, mas assim, equacionalmente incomodada com a situação, sigo solteira na Ilha..

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Scrivimi


Hoje eu nem sei dizer porque, mas senti saudades de quando eu te escrevia. É, de quando trocávamos longas cartas, aquelas nas quais imprimíamos nossa energia, aquelas que colocávamos na caixa do correio. Já existia e-mail, meu Deus, há quanto tempo! Mas eu gostava mesmo era de escrever. Eu sempre falei que e-mail era muito impessoal.

Nosso contato nunca se perdeu, ainda bem. De longe eu não sinto seu cheiro branco, mas de fato nunca estivemos muito longe um do outro só pelo fato de nos importarmos. Os telefonemas trocados vão desde a necessidade de dar uma notícia importante até o puro capricho de parabenizar quando o time ganha no futebol.

Mas hoje senti saudades das cartas. Da ansiedade gostosa ao abrir a caixinha de correspondências do prédio e encontrar um envelope que era só meu, de correr pro quarto e abri-lo já com um sorriso nos lábios. E sempre responder. Às vezes nem tinha muita coisa prá ser dita, mas as cartas estavam lá: "Vitória, 21 de novembro de mil novecentos e nem lembro mais". Era uma delícia!

Como é que eu vou dizer que te levar assim, como uma lembrança tão gostosa, não é bom?

Tem dias em que minha nostalgia me acomete, mas não me entristece. Nasci saudosista, não sofro com isso.

Quando puder, scrivimi!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Profissão: Vagabundo

Abriu um mega shopping center na Serra. Coisa bonitona que só. Funciona desde dezembro.

Eu nem fiquei sabendo, mas há exatos 30 dias atrás o cinema ultramudernoso foi assaltado. Um dos ladrões era porteiro do cinema, e tinha que pagar dívidas de drogas.

Mas o que mais surpeendeu foi a pérola do comparsa dele:

"Entrei nessa porque estava desempregado e minha filha estava prá nascer. Agora vou morar de graça (no presídio) e minha filha não vai passar necessidade, porque vai receber o auxilio do governo".

Putaquepariu! Quem dá conta de uma merda dessas?

domingo, 6 de maio de 2012

Que raiva!!!

Texto retirado do blog Solteira na Ilha

Como todo castigo prá encalhado é pouco, essa fim de semana não foi diferente.

Um digníssimo socorrista que vira e mexe tá lá no serviço fez o que pôde desde o comecinho do ano prá me convencer a dar uma bola prá ele. Mexeu comigo, entrou numa discussão minha com um colega sobre peso ( e elogiou as formas fartas da bonita aqui que até desconfiei), comprou um milkshake de ovomaltine do Bob's - meu preferido - no dia em que me encontrou num shopping com o Filhote só prá agradar, telefonou, mandou torpedo, perseguiu, abordou no serviço, me deixando até sem jeito.

Até que a panaca cedeu...

Ele combinou de sairmos na sexta. Tá, eu tava muuuito afim, uma porque ando sozinha, outra porque o dia tinha sido exaustivo, e seria bom relaxar. E claro, vou confessar que o cara é um gato e eu não sou de ferro.

Mas...

O bonito não veio. Casa do cacete! Não veio, não ligou, não avisou. Isso porque tava muitíssimo interessado.

Aí, sabe o quê? Me trolar na minha TPM é foda. Aí eu, que não tenho sangue de barata (aquele bicho tem sangue?), não me aguentei e liguei. Desaforo! Juro que ia vociferar um balde prá cima do sujeito. Daí ele atendeu, falou "alô, alô" como se não estivesse ouvindo. Eu desliguei e liguei de novo. Claaaaro que ele não atendeu mais. 

Tá, eu não vou ter paciência com quem vier com a filosofia de que eu tenho que me valorizar, e que eu não devia ter ligado porra nenhuma. Sabe porquê, querido diário? Porque foda-se se eu não devia ter ligado, porque meu saco já anda muito do cheio de ter que me comportar assim ou assado, e também ando cheia de ser trolada. Então eu liguei meeeesmoooo. Porque minha paciência não é santa, oras!

Dane-se se o comportamento tem que ser este ou aquele. Eu fiquei muito puta mesmo. Mas, não tendo prá onde correr, não tendo um saco de areia pendurado no teto do quarto prá socar (a idéia até que é boa...), não me restou muita coisa prá fazer: tirei a roupa bonitona, o salto, a maquiagem (olhava no espelho e me perguntava onde guardei o nariz de palhaço...), vesti minha camisola sentindo uma raiva da porra, sentei na cama e chorei. É, chorei.

Aí vão falar que eu também não devia ter chorado... Pros infernos, eu chorei. Meu estômago doía adoidado, eu sentia tanta raiva que saía fumaça da cabeça. Então eu chorei. Chorei muito, chorei das 23 às 01:20h, quando a bateria do meu netbook acabou e a tv a cabo saiu do ar, não me restando muita coisa a não ser deitar e ir dormir. Passei um bom tempo com um colega no bate-papo do Facebook desabafando, praguejando, lendo ele falar aquela coisinha de sempre no mais puro estilo "ele não te merece, você é legal demais", etc e tal. Curioso: no final, um homem prá desabafar... Minha amiga Aba também conversou comigo, mas acho que a paciência dela esgotou, então sobrou o coleguinha. Irônico...

Não é uma tragédia, meu mundo não caiu, eu não vou sofrer até morrer por causa disso. Mas meu copo ando cheio, então muito pouco tá me fazendo esburrar (é, porque copo de capixaba esburra mesmo). Então eu vomitei minha raiva chorando. Tá bom, já passou,  agora resta ter que tolerar ver eventualmente a cara da peça rara lá no serviço sem bater. É, porque dá vontade de bater...

Ai, preciso de descanso. Assim,  de saco muito cheio, eu sigo Solteira na Ilha...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Idem

Miloca, eu também não morri, nem fui institucionalizada (embora algumas vezes talvez até precisasse).

Eu também enchi o saco. 

Só prá constar: nesse tempo, a mãe do Benzinho morreu (chato, eu me dava bem demais com ela), a direção do meu trabalho mudou e a nova chefe não vai com a minha cara (o que significa que qualquer bom dia atravessado, tô na rua), e eu continuo batendo cabeça com os sacanas que insistem em se aproximar (devo ter ímã prá isso, ou tô com uma uruca daquelas)

Enfim, o pulso ainda pulsa.

Beijinho procês!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Voltas que o mundo dá

Então que dia desses, muito à toa na vida, engatei um bate-papo com o Jornalista, que resolveu aparecer pelos Faces/MSN da vida.
Papo vai, papo vem, já era madrugada, o momento confissão rolou solto e aí trocamos uns "vontade de te ver de novo'.
Tá, andamos nos falando via telefone, sexta ele me chamou prá sair. Rolaram uns beijinhos bons, mas foi só.

Daí que o bonito era só chamego... E eu me pergunto porque é que esta vida bendita que Deus me deu me apronta umas dessas... 

Vale a diversão, né?

Podia ter ido prá cama sem essa...

Prova da veracidade do velho ditado "em boca fechada não entra mosca":

Hoje pela manhã entrava com Italo no consultório pediátrico quando, na porta, um senhor se engraçou com o menino e brincou:

- Oi vascaíno!

Meu filho logo respondeu: 
- Time feio!

Eu ri e entramos. Alguns minutos depois, já dentro da sala de espera, o tal senhor tornou a fazer a mesma brincadeira e ainda completou: "foi seu pai quem me contou que você é um vascaíno" e aí o MEU AMADO filhote devolveu a pérola:

- Eu sou Flamengo, e eu nunca encontro meu pai. (todo mundo sabe que o pai do Filhote nunca quis conhecê-lo, uma situação que vai mudar dentro de poucos dias, mas isso é outra conversa).

O homem ficou verde, azul, fucsia com bolinhas verde-limão, gaguejou, não respondeu nada e eu ainda passei ao lado dele, levando minha jóia pela mão e soltei:

- Que bola fora...

Então, como diziam os antigos, em boca fechada...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sobre o BBB12

Li um texto - muito bom, diga-se - no Casal Sem Vergonha, daí resolvi refletir:


Sobre o BBB: Complicada a coisa… Tem tanto prá se pensar, né? Se o cara abusou, se foi um crime, se o sujeito bateu uma punhetinha básica prá se aliviar a moça só serviu de inspiração… Se foi muita canalhice dele mesmo, pura e concentrada, nem duvido, mas ainda assim…

Eu AMEI o texto, como sempre. Gosto da forma como vocês escrevem. POr isso, é difícil prá mim, que sou mulher e que já ouvi muita merda porque usei um short mais curto na rua, falar isso: NADA, nem o decote, nem o short curto, nem o meu porre de proporções sodomenses dá o direito prá quem quer que seja de tirar um sarro comigo debaixo de cobertor sem que eu consinta. Mas eu não sei, lá no meu íntimo eu sinto que ouve um pouco de exposição dela, sabe? Tipo, tô aqui desabafando, eu nem assisto ao programa, mas pensei: cara, se ela não conhece o cara direito, tem poucos dias que convive, dar muita trela é furada. Porque tá na cara que o sujeito não tem o menor tino de nada, tá na cara que ele vai interpretar qualquer sorrisinho com um “vem comer”. Tá que é TV, Alice, e lá não é o País das Maravilhas. Mas ainda assim, pé atrás ainda pode ajudar.
Sabem quando a gente pensa que os dois lados tem uma parcela de culpa? Se é que é culpa, nem sei como chamar. Pois é, eu me sinto assim. Alguém me entende?


Segunda-feira da moléstia essa... Falsa grávida, essa história aí do abuso... Cara, o mundo tá rodando rápido demais...

*****

Falando em mundo rodando rápido demais, eis que hoje encontro com uma amiga dos tempos do Coral da UFES. É uma pessoa linda, incrível, que foi muito companheira minha quando um namorado meu terminou comigo depois de muito tempo e muita luta juntos... Pirei o cabeção, perdi 6kg em 15 dias (cara isso foi bom, rsrs), e quem passava horas no telefone comigo me conectando à sanidade era ela.
Ela tem um filhinho lindo, de pouco mais de um aninho. Uns olhinhos azuis fofos, uma doçura.
É de família Síria, tradicionalíssima. São cristãos, e muito devotos, mas mantém muito das tradições, como tomar café numa xícara charmosa sem asas e ler a borra depois. Fumam narguilé, dançam dança do ventre de forma charmosa, discreta mas muito bonita. São muito unidos.

Ela está namorando com o Pianista.


*****

Gira mundo...

sábado, 7 de janeiro de 2012

De saco cheio

Eu ando muito de saco cheio de um monte de coisas. Tá que o ano só começou, mas minha paciência prá certas coisas foi pro brejo.

Ontem saí e putaquepariu, me senta um 'adolescente' de 23 anos à minha mesa, completamente bêbado, amigo do meu amigo, 'tirando onda' porque a mãe, uma investigadora da Polícia Civil, estava de plantão e ele podia beber até cair...

Invento de pegar um táxi e quase caio prá trás quando vejo que o fdp do taxista, num carrosem indentificação nem taxímetro, queria me cobrar R$10,00 prá uma viagem que custa em torno de R$6,00. Inventei de discutir e quase sou agredida.

Na hora que eu resolver me sacudir...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O que rolou em 2011

Todo final de ano a gente inventa a retrospectiva. Como meu saco encheu de ficar analisando mês a mês (difícil, já que minha memória não tem tantos gigas assim...), resolvi que só vou lembrar do que marcou ao longo do ano.

Janeiro: Porra, um infeliz de um Pianista resolve que "a gente se parece muito", pede prá ficar junto e me sacanea. Bola fora dele.

Maio: Fui convidada prá trabalhar na UPA, uma função diferente, mas que amei. Mudou meu humor, conheci gente nova, ampliei meus conhecimentos na área de urgência/emergência.

Junho: Depois de um mês de insistência, saí com Benzinho, que veio cheio de amor prá dar. Uma pérola negra, pensava eu. Bleh.

Agosto: Conheci o Jornalista, com quem acabei ficando depois de longos 21 dias sem sequer ver o digníssimo que se intitulava meu namorado.  MEU SOBRINHO NASCEU, A COISA MAIS LINDA DO MUNDO!!!! Em 31/08 acordei passando um mal da porra às 5:30 da matina. às 22h estava na mesa de cirurgia operando uma apendicite agudíssima. Ganhei 13 pontos e uma barriga deformada por uma cicatriz feia prá cacete. tá ruim, mas tá bom.

Setembro: Dei um basta na história com Benzinho, porque porra, ninguém merece...

Outubro: Na véspera do meu aniversário o Jornalista resolve que "anda atarefado demais, e que o problema é com ele" e me dá um tchauzinho básico. Nota: "sei que vou me arrepender depois" não cola, porque desconheço ser humano nas CNTP que faça, conscientemente, algo do que vá se arrepender depois. Mas enfim...

Dezembro: Filhote ficou internado com gastroenterite infecciosa, mas foi só prá fazer o antibiótico EV. O moleque está melhor que todo mundo junto na família.

Feliz 2012. Que venha!

Tudo de bom prá vocês todos! Até lá!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Eu NÃO chuto cachorrinho!!!

PELO AMOR DE DEUS!!! Esse ser (des)humano, infelizmente, tem a mesma formação que eu. Mas saibam: falta de caráter também vem de berço, não da faculdade de Enfermagem.

Não aprendemos a provocar a dor, aprendemos a lidar com o sofrimento alheio e a trabalhar incansavelmene para aliviá-lo. Eu, particularmente, durante muito tempo pensei em estudar Medicina Veterinária. Jamais aprovaria tal ato. Aliás, sequer assisti o tal vídeo. Não dá prá mim essa crueldade toda.

Se essa peste vai ou não ser punida, como comentou a Miloca, eu não sei. Mas eu torço muito prá que ela não consiga emprego. Que tipo de cuidados uma pessoa assim pode prestar a quem está sofrendo? Como ela via lidar com o paciente que se recusa a receber tratamento? Vai bater também? Vai surrar o pobre que já está ferrado, internado, passando mal pacas? 

Não há nada relacionado à Enfermagem que justifique esse ato. Não aceito os argumentos de que o estresse a que a classe é submetida seja culpado. Verdade que trabalhamos demais, ganhamos de menos e prá ter um salário digno temos mesmo que acumular empregos. Só que aí me pergunto: por que é que eu não vejo pelo menos 3 notícias como esta por semana nos jornais?? Porque a grande maioria dos colegas é normal. Vai prá balada, vai malhar, vai à praia, vai pintar, bordar, ler, faz qualquer coisa prá aliviar o estresse.

Ruindade não se aprende nos salões da academia. Tampouco se desenvolve com o cansaço da labuta diária.

E eu NÃO chuto cachorrinho! 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Relato

A UPA onde trabalho tem um fluxo de atendimento bem simples: as ambulâncias que chegam com pacientes entram pela porta da emergência; o socorrista cadastra o paciente na sala do enfermeiro classificador, que vem até a emergência, classifica o paciente como mais ou menos urgente e comunica a ao médico (mesmo sabendo que a classificação cai no sistema, a gente vai lá no consultório prá apressa o colega). Tudo isso é feito com o paciente sobre a maca da ambulância que o trouxe (SAMU, Remocenter, e por aí vai).

Eis que o meu digníssimo ex chegou anteontem com o SAMU e encontrou a emergência vazia. Não havia paciente algum lá (o dia tava calmo mesmo) e as meninas (num tremendo vacilo), apagaram as luzes lá de trás. Ele, que também trabalha lá, só que à noite, tirou o paciente da sua maca, colocou na nossa maca, monitorou o paciente e desapareceu.

Estávamos com o déficit de duas enfermeiras, e eu fui deslocada prá assistência direta. Tive que ir ter com a peça.

Aí começou: o capeta não quis me responder o quadro do paciente, não me respondeu porque mudou o homem de maca, não respondeu nem o "boa tarde" que lhe dirigi.  Precisei chamar outra colega, que deu-lhe uma puxada nas orelhas, e vi o dinossauro de 1,90m e 130kg dar as costas prá minha amiguinha menor que eu e sair em silêncio.

Claro que tinha que ser relatado. Ele alegou que não tinha ninguém lá, então fez como achou que fosse melhor. Elaboramos o relatório eu e minha colega, mas cometi uma série de erros: relatei no livro aberto da enfermaria, quando deveria tê-lo feito no livro de ocorrência que fica no repouso e é lido pelos enfermeiros somente; EU fiz o relatório, o que acabou dando uma conotação extremamente pessoal ao fato, mesmo que o texto tivesse sido elaborado por duas pessoas.

O fato é que fofoca rola solta no setor, alguém ligou prá ele, contou do relato, ele ligou prá mim querendo satisfações e fomos parar eu, ele e a coordenadora geral da Enfermagem numa reunião prá lá de constrangedora.

Ele foi repreendido por não obedecer os fluxos do próprio local de trabalho, por não ter comunicado ninguém sobre o paciente, e por não ter reconhecido minha autoridade de enfermeira, pois, se um enfermeiro solicita a um técnico informações sobre um paciente, é obrigação do profissional fornecer. Foi lembrado da hierarquia dentro da instituição e orientado a não contestar o fato de uma enfermeira ter sido deslocada de outra função.

Eu fui chamada atenção porque, mesmo não estando responsável pelo setor no momento, deveria ter visto as luzes apagadas e tomado providência. Por ter feito o relatório no livro errado também. Mas o pior ainda estava por vir...

Nossa coordenadora tem mais de 20 anos de carreira com gestão de pessoas. É uma enfermeira brilhante. Ela encerrou a reunião falando que "agora vamos para o bate-papo", de forma quase maternal. Recomendou que eu e a peça rara marcássemos um encontro, sentássemos e conversássemos sobre nós dois. 

Eu fiquei muito puta da vida com aquilo, não falei nada, engoli, mas fiquei. Porque não há nada mais entre a gente (exceto o fato de ele continuar me mandando torpedos, o que me revolta), não namoramos mais e eu SEI muito bem que o pessoal e o profissional não se misturam. Tanto que cumprimento o Negão normalmente na UPA, converso sobre o que quer que seja, dentro do tema 'assistência', tento agir da forma mais profissional possível. Não fico de sorrisos, mas não viro a cara porque sei que ali dentro preciso trabalhar da forma correta.

Porra, ele criou a situação e eu fui obrigada a ouvir algo que não precisava, não mesmo. Eu sei me portar.

Aí eu me estressei. Falei algumas coisas, tentei ser beeem amigável, aconselhei o cara até. Falei que não precisava ser meu amigo, mas que ali dentro a coisa era diferente, que não misturasse as coisas, porque os dois seriam prejudicados. Enquanto eu falava, ele piscava o olho e jogava beijinhos disfarçados. Segurei a onda prá não explodir de raiva.

Mais tarde em casa, recebi torpedinho de "não quero perder você".

Ahh, casa do car$%#&!!! Já tá tocando sua vida, meu caro, me deixa de lado. Custei prá arrumar um lugar perto de casa prá trabalhar, um serviço que amo demais, fiz excelentes amigos, agora vem um encosto me atrapalhar a vida? Soube que a tal namorada dele perdeu o bebê, daí parece que ele tá se sentindo mais livre prá galinhar sem que todo mundo olhe censurando. E eu pareço ser o playground preferido.

E eu nunca fui chamada atenção antes no trabalho. NUNCA. Não foi exatamente uma puxada de orelha, mas fiquei arrasada com a chefe falando como uma irmã mais velha "Lô, você é tão competente, acerta seus ponteiros com fulano prá vocês não terem maiores problemas." Fiquei de cara no chão.

Mas tá bom, passou. Essas coisas servem prá gente reavaliar muita coisa, rever conceitos, posturas. Acrescenta muito. Não posso reclamar de tudo, é verdade. Mas que emputecem também, nem me fale...

Enfim, vida que segue!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Casa do cacete!!! Tô chegando agora da rua, prá onde fui prá desestressar, sem muito sucesso. O FDP do Benzinho fez o excelentíssimo favr de me cagar o dia, então tô mordendo feito cachorro doido na rua.
Depois conto
Bjo

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Daí que minha pressão arterial resolveu, dia desses, me dar outro susto. Por dois dias não trabalhei, somente repousei na emergência tomando medicação prá tentar baixar o nível da coisa.

Então resolvi que não ia enfiar o pé na cova aos 35. 

Emagrecimento é a ordem, porque, né, com a pré disposição de pai e mãe cardiopata, a pessoa desenvolver obesidade por puro autodesinteresse é demais.

Minha amiga me deu duas cápsulas de óleo de coco. Tomei o troço meio descrente.

Pois estou aqui, passei o dia todo com a sensação de que tinha comido uma vaca prenha com os chifres, cascos e tudo o mais. Quero nem saber o que foi, mas não quis saber de comida. Me sinto empazinada.

Então, vou ver no que dá esse troço. Por questão de economia, não pago academia, caminho à beira da Praia de Camburi. Só que tá chovendo, então sigo só com a dieta. E rezo prá funcionar.

*****

Falando em reza, quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece. Benzinho esteve com o SAMU 2 vezes na quarta lá na UPA. Como eu não dei atenção nenhuma prá ele, à tarde me chega torpedo falando de carência, saudades etc...

Não mandei pastar porque não vou gastar bateria de celular, meu precioso tempo e meu latim bem estudado respondendo.

Mereço

Ai se eu pego...

Realiza a cena: às 4:30 da matina você acorda pelos gritos de uma louca vizinha, completamente bêbada, sacudindo a lixeira do prédio gritando: "eu sou um lixo, 19 anos de merdaaaaa!!!"

Não satisfeita, ela se posiciona bem no meio da rua, começa a cantar "Ai se eu te pego" e dançar como num forró.

Aí conversa com a outra vizinha que está sentada na calçada, encostada no portão e não consegue levantar.

Depois do showzinho que foi até as 5, quem dorme??

Ai eu digo: ai se eu pego...


Tô louca prá encontrar com as duas após a ressaca fisiológica passar. Prá essa vai ter jeito, mas prá ressaca moral...